Hoje acordei pensando nisso, em álcool, alcoolismo, vício, transtornos psiquiátricos e mentais e afins. E como me dei conta de que o álcool é totalmente bipolar. Antes de qualquer coisa quero lembrar que eu bebo pra caralho. E ponto.

Já frequentei o AA por quase um ano pois quase perdi meu casamento e minha família por causa disso.

Nunca me considerei alcoólatra pois tinha uma ideia preconcebida de que um alcoólatra bebia o dia todo, desde a manhã no bar, sujo, na sarjeta, essas coisas. No AA aprendi que não é assim. É bem mais complicado do que isso.

Também aprendi que já foi comprovado cientificamente que é uma doença, como se algumas pessoas fossem intolerantes ou alérgicas a álcool. Mas não foi por isso que escrevi esse post. Escrevi esse post porque uma porcentagem muito grande de pessoas com transtornos psiquiátricos, principalmente bipolar e borderline, se tornam dependentes de álcool (e outros tipos de drogas ou elementos compensatórios).

O ciclo do álcool “alivia” a dor, a angústia, a confusão, o desespero, a constante vontade de tirar a própria vida, os problemas causados, enfim, muita coisa. Mas é uma ilusão, uma puta ilusão. Porque quando passa o “barato” e o relaxamento, a fuga da realidade, tudo volta, e volta muito pior.

Eu já tive diversas fases, algumas muito ruins, perigosas e com consequências devastadoras para mim. O álcool é totalmente “bipolar”. Exatamente como essa foto. Te leva a um mega pico de euforia, tesão, alegria, excitação e de desinibição como a fase maníaca e depois te leva pro fundo do poço, com choro, angústia, tristeza, desespero, culpa, vergonha, como na fase depressiva.

O “gene” da “alergia” ao álcool já está há muitas gerações na minha família, por parte de pai e de mãe, e infelizmente a “alérgica” dessa geração sou eu. Assim como o Transtorno Bipolar também está há muitas gerações na minha família e só me atingiu, meus irmãos não são.

Gostaria que as pessoas “normais” e que não possuem esses problemas conseguissem ser um pouco mais compreensivos, compassivos e empenhados com pessoas como nós. O índice de sobrevivência e de anos de vida pra nós é baixíssimo, pois a maioria morre pelas doenças decorrentes do abuso de substâncias, por overdose, por acidentes gerados pelo uso dessas substâncias ou por suicídio.

A diferença na minha vida entre quando eu era mais jovem e agora é que hoje em dia eu tenho consciência do problema, sei de todas as merdas que podem acontecer, fico apavorada por saber que não tenho nenhum controle sobre isso tudo e tento desesperadamente evitar o máximo que eu posso que algo aconteça durante os surtos e as crises das fases eufóricas e depressivas.

Mas não me engano mais. Eu sei que o álcool é “bipolar” como a foto. E que ele é apenas mais um “demônio” contra o qual eu tenho que lutar nos piores momentos. Esse é o tipo de post que eu nunca escreveria durante uma fase eufórica, por exemplo, e sei que quando estiver nela, infelizmente, eu provavelmente vou esquecer de tudo isso.