Depois de muito pensar eu resolvi experimentar o Daime. Entrei em contato com um grande amigo meu que já frequentava as reuniões do Daime há muitos anos e pedi para ele me levar no local que ficava em vargem grande, num condomínio, num lugar lindo, dentro de uma floresta.

Eu não estava nervosa, estava apenas curiosa.

Tínhamos que seguir por uma trilha inclinada e um pouco longa que levava até uma casa e um grande pátio coberto.

Haviam várias pessoas, todas vestidas com roupas parecidas,em geral brancas ou de aparência meio hippies, e ele me pediu para sentar em uma cadeira e aguardar.

Eu não sabia que o Daime tinha todo um ritual com músicas, rezas, danças, quase como um tipo de igreja.

Sentei e observei todo esse processo que era muito interessante e me lembrava muito alguns rituais que eu já tinha visto em filmes a respeito de outras coisas.

Em um certo momento pediram para eu levantar e eu entrei numa fila até chegar num homem que me perguntava se era a minha primeira vez e me dava um copinho com um líquido terroso.

Eu bebi e disse para ele que achava que era pouco. O gosto não era bom. Ele tentou argumentar comigo, mas me deu mais um pouco e eu voltei para o meu lugar.

O ritual continuou por um tempo até que terminou e todos se abraçaram e se cumprimentaram num sentimento de “peace and love” bem “Woodstock” e todos foram se dispersando.

Alguns participantes habituais começaram a fumar maconha juntos, cada grupo num canto, socialmente, batendo papo e eu fiquei ali, parada, tentando analisar se estava acontecendo alguma coisa comigo e esperando o meu amigo.

De repente, como mágica, eu comecei a sentir uma “iluminação”, algo diferente, forte, muito bom, muito intenso, dentro de mim. Tudo pareceu ficar mais vívido. Mas eu me assustei com a intensidade com que tudo estava acontecendo.

Meu amigo não pretendia ir embora tão cedo então me despedi e resolvi ir embora sozinha. Puta que pariu, eu resolvi descer a porra da trilha no meio da floresta em plena madrugada em vargem grande sozinha.

Conforme eu descia, eu ouvia as árvores, as plantas, os animais, eu via tudo “brilhando”, era tudo muito lindo, muito intenso, mas muito novo e forte para mim, que estava sozinha.

A trilha era longa, e cada vez eu via e ouvia mais e sentia mais e ao mesmo tempo que era incrível, foi me dando um medo do caralho.

Finalmente eu cheguei na estrada. Sozinha. E a pé. Comecei a andar em direção ao recreio, ao camping, e resolvi ligar para o meu marido, porque eu já estava vendo, ouvindo e sentindo “o caralho a quatro”.

Pedi pelo amor de Deus para ele ir me buscar e para ele não desligar o telefone, para ele continuar falando comigo, e não parava de andar por nada nesse mundo, e ele putérrimo, mas pegou o carro e foi me buscar.

E eu maravilhada, ao lado dele, muito mais calma, vivenciando todo aquele poder incrível que fazia tudo ficar mais vívido e mais intenso.

Ele, puto, me xingando de tudo quanto é nome, envolvido em mais uma das minhas loucuras.

E eu decidida a viver a experiência de novo, mas da próxima vez acompanhada de alguém que pudesse estar ao meu lado e de carro, com certeza.

O Daime é incrível, é um poder da natureza, é uma força, abre a terceira visão, abre os chakras, aumenta e potencializa todos os nossos sentidos.

É lindíssimo!
Experiência sem igual.
Alguém aí já experimentou, tem alguma experiência para contar?