A cabeça cheia de supostos pecados ridículos e paranoias sobre estar iluminada o suficiente para sobreviver… a tudo.

Conversas esquizofrênicas sobre Deus e como Ele lida com as nossas mentiras. Falando sozinha como se eu e mais eu e mais eu estivéssemos batendo um papo “cabeça” num cômodo de quatro paredes.

Escrevo o que sinto e não ligo para o que pensam, mas não consigo falar claramente sobre o que eu mais queria.

Mais uma vez a chuva cai lá fora e eu começo a pensar que é algum tipo de “start” poético – chove, e eu não consigo parar de pensar e pensar e escrever.

Porra, é sacanagem essa história de “fim do mundo”. Não acho que eu venha de uma geração que foi preparada para isso, apesar de achar que ninguém está preparado para o “fim do mundo”.

Um monte de gente jejuando, meditando, dançando, e fazendo um monte de coisa que talvez não estivesse com vontade de fazer só para ter uma “possibilidade” de lidar melhor com a ideia de que haverá um fim do mundo, como se houvesse uma salvação porque você não comeu carne por exemplo.

E eu, com a cabeça mais fodida do que a economia mundial, numa paranoia sem tamanho misturada com um paradoxo interessante resultando numa angústia e numa instabilidade apocalípticas.

Penso iluminada, vivo enCARNEada (encarnada, rs).

Eu penso sim que tudo isso é muito importante e que temos que trabalhar nossa espiritualidade e ter uma alimentação melhor para o corpo está melhor e mais leve e tal.

Mas vivi aproveitando cada pedacinho que eu conseguisse de prazer carnal, gastronômico, etc etc etc.

E aí uma culpa sem tamanho toma conta de mim depois do prazer (rsrsrs) e eu passo a outra parte do dia buscando a luz. Noite enCARNEada, dia iluminada.

Perguntas bem idiotas na cabeça do tipo – se eu trepar de quatro é mais pecado do que papai e mamãe? (rsrsrs)

Se eu for numa churrascaria e comer carne até me entupir mas fizer dieta vegan por uma semana fica tudo bem?

DUVIDO que não tenha um monte de pessoas que também pensem assim. Querem ficar iluminadas mas não querem abrir mão do prazer (de uma forma geral).

Enfim, não tem como se livrar dessa paranoia, ainda mais sendo eu, ainda mais caindo de cabeça no novo tratamento com lítio e bup – de noite eu não consigo parar de falar, de filosofar e de criar, nem a minha filha de 15 anos escapa!

Decidi fazer diferente, pelo menos um pouco diferente.

Estou vivendo todo esse momento especial da cruz planetária, principalmente nessa semana sendo – autêntica e sincera.

Acho que isso talvez seja melhor do que ser muito iluminada às vezes. Porque se eu estivesse trabalhando tão intensamente para ser iluminada não estaria sendo sincera e nem feliz pois estaria sentindo falta de muitos prazeres dos quais eu não sei se estou preparada para abrir mão.

Quando frequentei o templo budista com a minha mãe eu entrei numa de querer ser monja. Fui conversar com a monja que estava residente no templo e quando ela me contou todo o processo que ela tinha passado para chegar ali eu percebi que não teria saco para tanto.

Quando entrei para o candomblé não foi muito diferente.

Eu tinha o maior medo de quando fizesse 7 anos recebesse algum cargo na casa de santo e tivesse que me comprometer sem estar preparada ou com vontade.

Quando entrei na igreja evangélica não foi diferente, pois sutilmente senti uma cobrança gigante para mudar meu comportamento, meu modo de viver, de falar, de vestir, de agir e de participar ativamente nas atividades e programações da igreja.

Vou meditar muito nessa semana para ajudar a positivar todas as energias que estão vindo por aí, vou recitar meus mantras, vou na praia contemplar a natureza, vou ser paz e amor como sempre tento ser….

Mas vou comer comida mexicana e chilli, tomar margarita frozen, fazer sexo como sempre (terapeuticamente, rsrsrs) e viver como sempre vivi – intensamente sem pensar nos riscos, nos limites e nas consequências (tá bom, com o lítio isso diminui um pouco, mas só um pouco).