A minha mãe era tão liberal com drogas e com qualquer coisa que eu nunca tive vontade de experimentar nada e de me envolver com nada mesmo vivendo num antro underground da classe alta de sexo, drogas e rock n roll.

Mas um dia resolvi experimentar e como não tinha a mínima ideia de como seria isso,do que aconteceria, de como me sentiria, resolvi procurar meu amigo de infância, meu confidente, minha alma gêmea.

Peguei o ônibus do condomínio e fui até o Leme no apartamento dele. Bati na porta, beijei ele, abracei bem apertado e disse que precisava de um favor. Ele estranhou tanta polidez porque normalmente eu já chegava agarrando, gritando, pulando, mas me ouviu com calma.

Aí, soltei a bomba. Meu amor, eu quero experimentar maconha, mas tem um porém. Você precisa fechar todas as portas e janelas, você não pode fumar, tem que ficar me observando pra ver se eu não vou fazer nenhuma loucura, e fica de olho em mim e intercede se for necessário.

Ele riu até se mijar, e é claro que eu não entendi o motivo, mas falou que tudo bem, que ele faria isso por mim. Pediu algum tempo pois ele teria que arrumar algum “bagulho” e disse para eu ficar tranquila.

Depois voltou, preparou com a maior calma do mundo um cigarro para mim, explicou que provavelmente eu não sentiria nada, mas que respeitaria tudo o que eu tinha pedido.

Me explicou como tragar, como segurar, me explicou tudo. E sentou. Acendeu para mim e me deu. Eu estava deitada no chão como quem vai passar por um ritual super sagrado e importante e comecei a fumar. Fumei, e fumei, e fumei, e nada acontecia.

Quando o cigarro estava quase acabando eu olhei para ele e perguntei: Porra, é só isso? Ele deu uma risada discreta e disse que sim, que provavelmente por ser a minha primeira vez eu não iria sentir nada e coisa e tal e perguntou se eu estava bem.

Eu levantei super decepcionada, olhei para a cara dele e disse que não compreendia como é que as pessoas necessitavam tanto de uma coisa tão banal e idiota. Encerramos nossa sessão de primeira sessão de maconha por aí, mas eu me senti meio foda por ter finalmente fumado.

Muitos dias depois nos encontramos numa festa do trabalho das nossas mães, pois elas trabalhavam na mesma instituição. Era uma festa de gala e ele me chamou para fumar num depósito escondido na parte de cima da festa.

Fui tranquila pois sabia que não acontecia nada. Começamos a fumar, só que era um tipo diferente de maconha, um tipo mais forte, tipo skank. Puta que pariu, nós ficamos loucos e o garçom expulsou a gente dali.

Fomos obrigados a ir para o salão onde estavam nossas mães e todos os amigos delas. e nós ríamos sem parar, com os olhos vermelhos, o corpo descontrolado, e sem conseguir nos comunicar com ninguém.

Minha mãe percebeu na hora que estávamos drogados e nos deu um esporro e nossa crise de riso foi tão forte que eu caí de vestido no chão com as pernas abertas rindo sem parar e sem conseguir obedecer ou respeitar o que ela estava falando.

Nem lembro o que aconteceu depois. Acho que até ela riu também. Mas foi um desastre. E ficou para a história. E esse foi o meu primeiro contato com a maconha.

Com o meu melhor amigo de infância, a minha alma gêmea, o meu cúmplice de muitas loucuras, que hoje é uma estrela no céu. Continuo achando maconha sem graça. Mas pra quem toma os remédios tarja preta que eu tomo, maconha é brinquedo de criança, né?