Sobre os anos que ficaram para trás e os anos que estão por vir. Há anos não escrevo um texto sobre a virada de ano, mas 2016 merece um. Sei que muita gente está pedindo um exorcista para o réveillon para se livrar logo de 2016 e ter certeza de que ele foi embora mesmo e que não tem jeito dele voltar. Não é o meu caso. Acho que 2016 foi um ano ruim para o mundo, para o Brasil. Acho que Satã está sentado em vários tronos pelo mundo e fazendo a festa às custas da nossa dor e do desespero geral, sim, nisso eu tenho qeu concordar, infelizmente. Mas sou muito otimista e acho que para tudo existe solução e, principalmente, esperança.

Como muitos, acredito que o fim de um ano é apenas uma data no calendário, não significa nada demais. O novo ano será apenas a continuação desse calendário. Mas gosto da sensação deliciosa de esperança que cresce no nosso peito e na nossa alma ao pensar que é uma chance de começar um novo ciclo, de ter um recomeço, de consertar coisas, de ter 365 páginas em branco para preencher.

Reli várias postagens de final de ano de blogs antigos meus. São anos e mais anos de tristeza, depressão, lamentos e mais lamentos por causa das mortes na família, por causa do transtorno bipolar, por causa de um monte de coisa. Há muitos anos eu não me sentia feliz e realizada. Muitos anos mesmo. Os anos que passaram foram sombrios, densos, com raros episódios de alegria e coisas boas. Estou falando de muitos anos. Talvez eu sequer tenha me recuperado da morte do meu pai, em 1987. Ou da morte da minha mãe, em 1997. Eu vivi por muitos anos como um zumbi. Simplesmente sobrevivendo dia após dia, por não ter outra opção a não ser esperar pelo dia da minha morte. Triste isso, né? Muito foda.

Esses anos ficaram para trás. Eles são um borrão num horizonte distante no meu céu azul e resplandecente cheio de luz e de vida. Espero que não se repitam nunca mais. Todo dia é uma batalha, todo dia eu sou responsável por fazer um dia bom, uma vida boa. Eu sou responsável por levantar da cama, por não me entregar à depressão, por não deixar brecha para qualquer sintoma da doença me derrubar.

Sobre 2016. Começou como todos os anos, comigo deitada na cama, sem me levantar pra fazer porra nenhuma, só o essencial para a sobrevivência digna da família e para evitar porradaria e aborrecimento com o meu marido. Começou comigo gorda com quase 90kg, com vários problemas de saúde e três cirurgias para serem feitas. Começou com dentes cheios de problemas. Começou ruim.

Aos pouquinhos, quase sem eu perceber, 2016 foi me presenteando, me acariciando, me agradando com muitas coisas boas. Reencontrei pessoas muito amadas, fui contatada por pessoas que não falavam comigo há anos, voltei a cuidar do meu lado espiritual, reencontrei meu amado mestre e guru, reencontrei Jesus, voltei a falar com Deus, comecei a arrumar o meu apt, e fui contratada para trabalhar nas olimpíadas e paralimpíadas, o que gera um capítulo à parte.

Esse trabalho mudou o meu ano e a minha vida. Achei que ia ser contratada para trabalhar na minha área de comunicação social e na verdade o emprego era para “agente de hospitalidade”, que na verdade acabou sendo meio que um tipo de “faz tudo”. Nós servíamos os atletas atrás dos buffets de comida, organizávamos todo o material e utensílios do restaurante deles, limpávamos tudo exaustivamente, às vezes tínhamos que lavar talheres e utensílios de cozinha, limpávamos mesas e cadeiras, enfim, o serviço era pesado, no maior restaurante do mundo, no horário de 22:00 às 6:00h, embora às vezes ficássemos até 7h. Era foda! Exaustivo! Mas foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

Eu trabalhei com pessoas que não tinham o mesmo nível social que eu, que não tinham crescido com todo o luxo e toda a estrutura que eu tive. Tive chefes que não tinham curso superior e nem curso de inglês, por exemplo. Ouvi histórias de vida que me faziam chorar quando eu chegava em casa. Jovens tão novas com filhos crescidos, pessoas que viviam tanta violência no lugar onde moravam, não vou comentar mais pois não quero expor ninguém.

Com esse trabalho juntei uma grana boa e guardei. Foram 3 meses incríveis. Fiquei do primeiro ao último dia. Vi tudo começar e tudo terminar. Fiz muitas amizades que guardarei para a vida inteira. Conheci os maiores atletas do mundo. Atendi as feras do vôlei do Brasil feminino e masculino. Os atletas do atletismo. Alguns dos melhores chefs do mundo da gastronomia. Foi mágico! Tive chefes que viraram meus ídolos: Arthur Jordão, Gilberto Calli, Liliam Ma, Mariana Montenegro… Profissionais de um nível que acho difícil encontrar de novo.

Durante esse trabalho comecei a emagrecer. E ao acabar continuei firme na dieta e num trabalho autodidata de reeducação alimentar. Com o dinheiro que ganhei aproveitei uma promoção de uma academia que ia inaugurar perto da minha casa e comecei a malhar pesado. E passei a andar ao invés de pegar ônibus. E de repente, quase como num passe de mágica da fada madrinha, a minha vida mudou. Eu passei a me amar. A me amar MUITO. Tanto, mas tanto, que posso até parecer muito metida para alguns. Quer saber? Me desculpa, mas foda-se. Demorei uma vida inteira para me amar desse jeito.

E ao me amar, passei a amar os outros de um jeito que nunca amei, e a amar as coisas, e o mundo, e as experiências e as oportunidades. Passei a viver intensamente de verdade. Voltei a SENTIR. Dar valor aos meus amigos, principalmente aqueles da vida toda. Dar valor a família. Passei a dar valor a tudo que tenho, a tudo que como e bebo, a dar graças por tudo, de coração.

2016 pra mim foi renascimento, redescoberta, renovação. Corri atrás de tudo que estava errado para corrigir, de tudo que estava doente para curar. Entrei no AA. Assumi que estava bebendo demais e que isso não estava fazendo bem nem a mim e nem à minha família. E lá encontrei sabedoria, conhecimento, cura, colo, apoio, novos amigos, compreensão.

Muita coisa aconteceu! Comecei o blog, estabilizei no tratamento da Bipolaridade, consertei os dentes (rsrsrs), resolvi todas as pendências médicas, enfim… só tenho a agradecer! Só tenho a agradecer por esse ano que mudou a minha vida!

Não sei como vai ser 2017. Acho que nós somos muito responsáveis pelo ano que temos também. Espero que ele seja ótimo. Vou passar o réveillon de vermelho, primeiro porque minha intuição mandou e segundo porque li num site num post de uma amiga querida no facebook que essa era a cor que eu tinha que usar de acordo com a numerologia e coisa e tal (rsrsrsrs). Estou cozinhando três tipos de carnes e ainda tenho que fazer farofa pra minha filha e arroz, pois ela é vegetariana e porque eu sou uma mãe muito corujona mesmo. Acho que é a primeira vez que vou conseguir usar um salto pois meus pés estão magros e não incharam. Meu apartamento está lindo de tão limpo. Daqui a pouco vou lavar ele com sal grosso de dentro para fora e depois passar água de laranjeira da porta para dentro, pois uma amiga falou que isso tira a energia ruim e traz a energia boa. Não importa se tudo isso é superstição, se funciona ou não. Deus é maior do que tudo isso e é Nele que eu creio. Mas gosto de uma brincadeira, de uma festa, de um tchan.

Espero que todos tenham um réveillon espetacular, com muita festa, muita alegria e muitos amigos e familiares em volta para comemorar! Mandem um foda-se para 2016, pois essa porra já foi embora. E recebam 2017 com os braços abertos e um sorriso no rosto.

Venha 2017 que eu quero lhe usar!!!