Se me perguntassem quando eu era bem mais nova se eu iria fazer tatuagem um dia, eu certamente ficaria chocada e responderia que não.

Eu era extremamente pudica e achava um escândalo coisas como piercings, tatuagens e coisas do gênero. Eram coisas de gente doida, gente marginal, gente que não prestava, gente estranha.

Depois do acidente e do traumatismo craniano, eu mudei, eu me tornei uma menina doida, estranha, meio marginal. Que ironia.

Mas, de verdade, respeitei a minha mãe, o máximo que eu pude dentro dos meus limites, e só fiz o meu primeiro piercing e a minha primeira tatuagem depois que ela morreu. Coitada da minha avó! Eu nunca me dei conta que não pensei nela nesse sentido.

A minha primeira tatuagem foi feita na casa do Kiko (Kiko Tatoo), no Recreio, com o meu namorado segurando a minha mão e um dos meus melhores amigos assistindo. Fiz um anjo no cóccix com uma tribal seguindo suas asas.

Vou ser sincera: gritei pra caralho! Gritei como se estivessem arrancando a minha pele e queimando meus olhos. Lembrando agora, foi ridículo e muito engraçado. Teria vergonha de lembrar o Kiko sobre essa história. Puta que pariu!

Anos depois, me sentindo “a fodona”, e sem lembrar dessa dor, eu resolvi fazer tatuagens em homenagem aos meus Orixás. Entrei em contato com um amigo do meu irmão e marquei na casa dele. Ia fazer nove borboletas nas costas e um peixe de água salgada no braço direito.

Comecei com as borboletas. Doía um pouco, mas eu já aguentava numa boa. A dor passou a ter outro significado para mim. A tatuagem passou a ter outro significado para mim. E quando eu tatuava, eu me teletransportava para outro lugar e “viajava” mentalmente.

Fiz três borboletas e no ano novo, na minha casa, tomando uma garrafa de vinho, comecei a fazer o peixe, enquanto as borboletas cicatrizavam para eu fazer as outras. Já não sentia mais dor, não sentia mais nada. Tatuar passou a ser um carinho na minha pele. Um presente para o  meu corpo.

Tatuei meu pulso com o nome da minha filha. Ele tatuou em verde à mão livre e ficou horrível. Parecia tatuagem de cadeia. Toda a minha família me sacaneava e me perguntava de que penitenciária eu tinha vindo. Eu morria de vergonha daquela tattoo.

Me aborreci muito com esse tatuador, discutimos por causa de divergências a respeito do que tínhamos combinado no início a respeito do preço das tatuagens. Meus avós morreram nesse meio tempo e eu decidi não fazer mais nada com ele e cortar o contato.

Fiquei com uma tatuagem incompleta e errada, pois o peixe era de água doce, era uma porra de uma carpa. E com três borboletas, ao invés de nove, e isso era muito importante, pois tinha um significado.

Passei anos sem tatuar, muito puta por causa do que tinha acontecido. Até que um dia eu estava andando no shopping e vi uma loja do Kiko Tattoo. Pensei: Caralho, como o Kiko cresceu, agora tem loja grande, que maneiro! Entrei na loja e bateu logo aquele tesão de tatuar.

Eu nunca quis casar no papel, sempre tive pavor da porra toda. Aí, sentei na frente do tatuador e pedi para ele tatuar o apelido do meu marido no meu pulso. Marquei um jantar em família, escondi a tattoo com uma gaze e quando cheguei lá mostrei pra todo mundo e falei que aquilo valia mais do que um pedaço de papel.

Pois bem, passei anos sem tatuar por falta de grana e oportunidade. Anteontem, eu estava vendo o facebook e uma amiga tinha feito uma tattoo muito legal. Por curiosidade resolvi olhar a página da tatuadora e amei. E por um toque especial do destino ela estava com uma promoção de mini tattoos.

CARALHOOOOO! Não acreditei! Três mini tattoos por R$ 150,00.

Puta que pariu! Pensei no dinheiro que eu estava guardando para outra coisa, mas, porra, era uma oportunidade única. Não tinha como eu não fazer.

Entrei em contato com ela e marquei a sessão para às 11h. Cheguei lá às 10:45. Já sabia exatamente o que eu queria fazer.

A Carol chegou e nos apresentamos. Me apaixonei na hora. Mulher fofa pra caralho. Altos papos e desenhos depois, fiz as tattoos. Tive platéia e tudo. As tattoos ficaram do caralho! Com certeza vou voltar pra fazer mais, e se tivesse mais R$ 150,00 voltaria hoje mesmo pra fazer mais três mini tattoos.

Ela tatua dentro do salão Miss Ju no bairro do Anil. É um salão com um conceito irado para as mulheres. Dá pra fazer as unhas, cuidar dos cabelos, tatuar e ainda beber uma cervejinha e comer um petisco gostoso. Tipo aquelas barbearias para homens, sabe?

https://www.facebook.com/carolbeetattoo/?fref=ts

Como eu cheguei um pouco mais cedo, pintei minhas unhas de preto fosco e só não tomei nada e nem comi, pois tinha consulta com a ortodontista e com a dentista, logo depois da tatuagem.

Mandei o contato dela pra galera toda. Família e amigos indo lá tatuar.

Só sei que ainda tenho muito espaço nesse “corpitcho” pra botar tinta e rabiscar minhas idéias e troféus da vida. Ainda tenho a tattoo não terminada e as borboletas que faltam. Ainda tenho tanta gente que eu amo pra homenagear.

Tatuagem vicia! Tattoo é vida! Tattoo é amor!