Para falar do filme “Como nossos pais” não quis nem ler as críticas de cineastas e jornalistas antes. Quero falar da minha experiência pessoal e do que significou, pra mim, assistir a esse filme, principalmente porque estava sentada com a minha filha do lado.

Nós duas odiamos o início, mas por bobeira, por gostarmos de um padrão de início que não foi utilizado no filme.

Há muito tempo não gosto tanto de um filme brasileiro quanto gostei desse. Amei o roteiro, as cenas, as atuações, praticamente tudo. Amei o fato de não ter um monte de música de fundo musical pra compor uma trilha sonora, que no caso desse filme é totalmente desnecessária. A poesia usada em algumas cenas é belíssima.

Tenho poucas críticas a fazer, apenas algumas cenas que soaram meio absurdas por tratarem de coisas que tem uma determinada regra na sociedade e que não teriam como acontecer da forma que aconteceram, como a cena em que ela vai visitar o pai biológico em Brasília, sendo ele um ministro. Obviamente que ela não teria conseguido esse acesso tão facilmente.

As cenas com a mãe no jardim são lindas. Aliás, o jardim confere aos momentos com a mãe uma leveza e uma sensação de que toda a dureza e frieza da mãe não são realmente 100% da personalidade dela. O jardim confere à mãe uma dose de sensibilidade, doçura e sentimentos.

A personagem principal interpretada pela Maria Ribeiro representa, na minha opinião, a grande maioria de mulheres contemporâneas. Ela poderia facilmente ser eu. Eu me vi claramente nela, em vários momentos. E chorei bastante por isso. Porque ela joga na nossa cara questões que fingimos não ver, que deixamos passar no dia a dia, que preferimos não assumir na maioria das vezes.

Através da Rosa eu mesma refleti sobre a minha vida, sobre o meu papel na minha família, no meu casamento, na sociedade. Através dela eu vi tanta coisa que gostaria de falar para o meu marido, para a minha filha.

O personagem Dado interpretado pelo Paulo Vilhena também é uma manifestação bem real dos maridos contemporâneos, a não ser pelo fato dele ser tão idealista e por não ser o provedor da família. Entretanto, a falta de participação dele na vida familiar é um retrato bem forte do que acontece hoje em dia.

A cena que mais me tocou foi a do piano. Achei tão delicada, tão leve, tão real. Chorei muito, muito mesmo.

O filme fala sobre feminismo, sobre família, sobre superação, sobre relações familiares e como replicamos em nossas próprias vidas as vidas dos nossos pais.

Chamo a atenção para os toques subliminares e sutis que são espalhados pela trama, como o quadro com referência a Cuba em várias cenas, o all star azul, a partitura, o jardim, os fantoches, a referência ao livro de Ibsen…

Acho que eles poderiam ter sido menos caricatos na reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, mas no final das contas é bem do jeito que eles colocaram.

Enfim… O filme é foda! Saí de lá com mil questões para resolver nas minhas sessões de terapia, com mil coisas que gostaria de dizer para o meu marido e com uma vontade imensa de dar uma volta de 360 graus na minha vida. E ainda chorei por muito tempo depois que acabou.

Eu e minha filha saímos do cinema em silêncio. Conversamos sobre o filme, sobre a vulnerabilidade do amor e do casamento, sobre a triste realidade da quantidade de casamentos falidos e traições que existem no mundo, sobre relação entre mãe e filha, sobre a vida.

Recomendo o filme e sugiro que sirva de reflexão para todos!