O vencedor do oscar – Moonlight, parecia tão importante para mim que reservei o dia do meu aniversário para assisti-lo sozinha com toda a pompa e honra necessária. Escolhi um dos melhores cinemas, num horário vazio, numa das melhores cadeiras e fui cheia de expectativa.

Confesso que me decepcionei bastante. Esperava muito mais do filme.

Me apaixonei pela primeira parte do filme, quando Juan, apesar de traficante passa a ter uma atitude paternal com Little e o ensina tantas coisas e o acolhe junto com sua namorada Teresa, principalmente em sua angústia e culpa por ser conivente e responsável pelo vício da mãe do menino.

A primeira parte do filme é a parte mais poética, com mais lições e com a fotografia mais bonita. É de uma delicadeza inebriante e eu gostaria de ter passado mais tempo nessa parte, confesso.

Na segunda parte do filme fiquei impressionada com o ator que interpretou Chiron. A intensidade que ele conseguiu passar com sua introspecção e a forma como ele parecia estar imerso em seu próprio mundo, fugindo dos problemas e das ameaças passava uma força emocional muito grande. Entretanto, fiquei bastante decepcionada com a transição que fizeram em relação à mãe dele.

E na terceira parte fiquei um pouco decepcionada com a atuação do ator que interpretou Black e com a forma pouco intensa que foi mostrada a reaproximação dele com Kevin.

Em relação ao filme, achei que a abordagem dos temas polêmicos foi bem sutil e discreta. O filme usou de muita delicadeza para tocar em todos os assuntos sem precisar ser vulgar ou violento, ou explícito demais.

Entretanto, achei que a falta de cuidado com a continuidade em certos momentos prejudicou muito o filme. A passagem da mãe de Chiron de mãe preocupada e enfermeira responsável e bem arrumada, para uma mãe drogada, largada e com a casa aos pedaços foi de uma hora para outra, como se ela tivesse ficado viciada em segundos. Não houve uma boa passagem de tempo ou explicação para o espectador.

O personagem de Kevin durante a maior parte do filme é um latino moreno claro de cabelo liso e na terceira parte do filme quando eles se reencontram vira um adulto negro de cabelo crespo, black. Parece uma pessoa completamente diferente.

Vários detalhes desse tipo foram notados por mim e meus amigos quando sentamos para analisar o filme, o que não o desmerece é claro, mas para fãs de cinema com conhecimento, enfraquece bastante a admiração e a crença no profissionalismo e no cuidado da equipe com o filme.

Moonlight é um filme que precisa ser visto mais de uma vez, pois esconde detalhes, mensagens, em cada pedacinho da cena e que às vezes não percebemos da primeira vez que vimos. Para um espectador comum pode parecer um filme chato e tedioso, pois foge aos padrões comerciais e hollywoodianos, mas ele trata de muito mais do que esses filmes tratam.

Ele trata de sentimentos e valores que não são ditos, mas sentidos e mostrados através da câmera, dos olhares, dos gestos, das atitudes, do sofrimento, das mudanças, das escolhas que o menino que vira adolescente, e depois vira homem faz para se adaptar às coisas que ele não consegue compreender nem com o passar do tempo.

Confesso que ainda precisarei ver esse filme muitas vezes para enxergar a beleza que todos dizem que ele possui e que eu ainda não enxerguei. Talvez escreva outro post sobre ele, com outra visão, com outra perspectiva e com novas descobertas.