Eu fiquei pensando se ia fazer algum post sobre isso, mas em virtude da minha própria experiência na Vila dos Atletas nas Olimpíadas e Paralimpíadas eu resolvi me manifestar porque acho que precisamos falar sobre a vigilância sanitária.

Há poucos dias li em várias mídias sociais e no jornal online sobre a polêmica que aconteceu no Rock in Rio quando kilos de alimentos foram descartados pela vigilância sanitária no estande da Roberta Sudbrack. De acordo com o depoimento dela a ação deles foi completamente arbitrária e não respeitou os limites da razoabilidade.

Li vários posts de nutricionistas defendendo a ação da vigilância sanitária, falando do perigo de intoxicação alimentar e do respeito por leis e carimbos que, teoricamente, não teriam sido respeitados pela conceituada Chef.

Acho que precisamos falar sobre a vigilância sanitária, pois o que eu conheço da ação dos fiscais dessa instituição corrobora com a indignação da Chef e de outros profissionais da área da Gastronomia.  Em outra reportagem li que jogaram fora kilos de tempero comprados na Casa Pedro porque a etiqueta no saco não tinha o CNPJ da loja. Porra!!! Como o CNPJ da loja poderia causar algum problema para os consumidores, e se havia a ausência dessa informação na etiqueta como é que a própria loja conseguia vender os produtos e não ser fechada ou multada pela vigilância sanitária?

Durante as Olimpíadas e Paralimpíadas eu vi toneladas de alimentos de ótima qualidade serem jogados no lixo por ter passado alguns segundos do tempo indicado para ficar nos buffets. E é impostante salientar que era terminantemente proibido servir a comida que estava no restaurante dos atletas para os funcionários que eram servidos em outro restaurante.

Kilos de alimentos ficavam expostos em “cubas” aquecidas por uma luz direta em um período em que praticamente nenhum atleta iria se servir e quando chegava no tempo estipulado pelos orgãos fiscalizadores aqueles alimentos eram jogados no lixo. De acordo com a legislação, sequer era permitido que o descarte fosse oferecido para moradores de rua, por exemplo, por causa do perigo de algum deles passar mal e processar os responsáveis.

Ok. Concordo que é necessário tomar cuidado com várias coisas quando lidamos com comida, mas acho que precisamos falar sobre a vigilância sanitária, pois eles passam realmente do limite do razoável. Como a própria Roberta disse, eles jogaram fora sanduíches que estavam no intervalo entre terem sido colocados numa bandeja e a hora de serem etiquetados de acordo com as normas.

Pela minha experiência pessoal na Vila dos Atletas posso dizer que é extremamente frustrante passar 8 horas em frente a várias “cubas” com arroz, feijão, salmão, camarão, carne, frango, legumes, farofa, massas, comidas orientais, doces, sanduíches, pães e frios, e ver isso tudo ser jogado fora e não ser aproveitado com os funcionários que trabalhavam no local, por exemplo.

No final ficaram kilos de alimentos não consumidos que não tinham destino ou que iam ficar fora do prazo de validade. Os mesmos alimentos que tinham sido proibidos para todos os funcionários.

Então, eu acho que precisamos falar da vigilância sanitária SIM. E acho que a orientação passada para eles deveria ser revista e as regras criadas deveriam ser repensadas também.

Deixo aqui o meu apoio aos Chefs que procuram sempre produzir o que há de melhor para nos servir e que se preocupam com a qualidade dos alimentos, que seguem todas as diretrizes necessárias para evitar problemas e que obviamente possuem cozinhas em condições adequadas para o trabalho com a alimentação. Deixo o meu apoio para Chefs que estão sendo prejudicados por atitudes arbitrárias e intolerantes da vigilância sanitária, e espero que possam existir fiscais que entendam melhor o significado do seu trabalho.

https://g1.globo.com/musica/rock-in-rio/2017/noticia/apos-acao-da-vigilancia-sanitaria-chef-roberta-sudbrack-decide-fechar-estande-no-rock-in-rio.ghtml