Ontem eu estava super empolgada na cozinha cozinhando, arrumando as coisas, limpando a pia, e no momento em que comecei a lavar a louça e prestei atenção nos pratos, nos copos, nos talheres, eu conclui que eu estou amadurecendo com as panelas. Deixa eu explicar essa parada direito.

Quando eu era mais nova e fui morar com o meu marido eu não tinha nada. Nós nunca nos casamos, nunca fizemos “chá de panela”, nunca tivemos uma festa com convidados e lista de presentes. Simplesmente alugamos um apartamento e nos mudamos. Tivemos ajuda de vários familiares e amigos íntimos, mas a verdade é que não compramos praticamente nada.

Minha avó ainda cuidava muito de mim e me dava coisa pra caramba. Quase vinte anos depois e morando agora no meu apartamento próprio, eu notei que nunca tivemos um “lar”, um lugar para morar com a nossa cara. Nunca fizemos ele ter o nosso “jeitinho”. E olha que já tivemos muitas oportunidades e muito dinheiro para isso.

Tudo o que tínhamos vinha da casa de alguém. Quando meus avós morreram com a diferença de um mês, por exemplo, o jogo de talheres, a louça de jantar, as panelas, travessas, até as porras dos tupperwares foram pro meu apartamento. Algumas roupas de cama, mesa e banho. Então a minha casa era um depósito do que saía da casa de alguém. Isso aconteceu por muitos anos.

Aos poucos fui me dando conta de que isso não era tão legal quanto parecia. Isso começou a me incomodar muito, essa história de ter um monte de coisa velha, de gente que já tinha morrido, e veio um sensação de que eram “sobras”, entende?

Quando eu estava lavando a louça eu percebi que isso está mudando e que eu estou amadurecendo com as panelas (rsrs). Por exemplo – eu dei uma aula como professora substituta essa semana (quando isso acontece eu recebo o pagamento em dinheiro no final do dia), e adivinhem o que eu fiz? Eu comprei “coisinhas” para o meu lar.

Comprei uma leiteira (eu na verdade chamo de chaleira, mas o nome técnico é fervedor – horrível, né?) amarela. Sim, uma leiteira amarela muito fofa, super bonitinha com revestimento em cerâmica. A coisa mais linda!!! Comprei assim que saí do colégio na loja que tem do lado. Ela é A MINHA CARA!!! Eu amo coisas coloridas.

Essa leiteira é uma personificação de mim, do meu temperamento, da minha alma.

Eu decidi que quero tudo colorido, tudo “solar” em casa. Tenho comprado toalhas, panos de prato, enfeites, tudo colorido.

E no momento em que estava lavando a leiteira nova eu percebi o cuidado que estou tendo. Não deixo mais a parte de dentro, que é branca, escurecer. Sempre lavo com muito cuidado a parte de fora para não alterar a cor ou estragar o revestimento externo. Cuido dela como se ela fosse humana, uma filha (hahahaha).

E ao lavar as panelas eu notei a mesma coisa. Eu estou jogando fora gradativamente todas as panelas e acessórios que estão com o revestimento saindo e estou escolhendo apenas as que tem revestimento cerâmico, por causa de uma demonstração que um amigo muito querido fez quando veio me vender um conjunto de panelas de última geração (mas que eu ainda não pude comprar porque custa o preço de um carro popular, rs).

Não deixo mais o revestimento externo das frigideiras sujo, escurecido. Não trato as coisas como se nada importasse como fazia antes.

Parei de lavar a louça e olhei em volta. Meu “lar” está ficando lindo, está ficando com a cara da minha família. Tá tudo tão arrumadinho, tão fofinho. Comprei almofadas para o sofá. Nunca comprei porra nenhuma pra enfeitar a casa, gente. Comprei até enfeite pra parede.

E a verdade é que eu realmente estou amadurecendo com as panelas. Olhando o carinho e o cuidado com que estou tratando elas eu percebi que isso mostra o meu amadurecimento e, consequentemente, o meu zelo pelo que eu tenho escolhido ter na minha casa. O amor pela minha família, e porque não dizer, por mim mesma.

Eu sei, que post babaca, a mulher enlouqueceu! A doida tá dizendo que está amadurecendo com as panelas. É isso mesmo!

Ainda tenho muita coisa para amadurecer, muita coisa pra ajeitar no meu “cafofo”, mas já é um começo. Pelo menos até o próximo surto ou a próxima fase de mania/euforia. Mas aí vai ser outra história.