Dizem que é impossível morrer de tristeza, mas não é. A tristeza consome silenciosamente e coexiste conosco de forma invisível. E um dia ela nos leva. Tranquilamente ou violentamente.

Dizem que é impossível morrer de tristeza, mas as pessoas esquecem de quem está morto apesar de vivo. Aquelas pessoas que acordam e fazem as tarefas do dia, e falam com os outros, e dormem, mas na verdade não estão ali, elas já se foram há muito tempo e ninguém viu.

Dizem que é impossível morrer de tristeza, mas morrer de tristeza sequer é uma escolha. É algo que se desenvolve sem que possamos perceber e que toma conta do nosso ser de tal maneira que nada mais passa a existir.

Há os que morrem de “milagre” como minha avó Ricardina que caiu e quebrou o fêmur cerca de um mês após meu avô Lorival, seu marido, morrer e milagrosamente morreu na UTI do Hospital Italiano.

Morreu milagrosamente de madrugada quando seu coração parou dias após quebrar um osso de uma perna. Morreu de saudade e da necessidade de estar junto de quem ela sempre amou ou conviveu.

Há os que morrem de acúmulo de tristeza como minha mãe Telma que ficou tão triste, tão solitária e tão desolada ao perder o meu pai, o homem com quem ela tinha planejado viver até ficar velhinha, o homem com quem ela dividia a sua vida, que acumulou a tristeza toda dentro dela e gerou um câncer que a matou 8 anos depois.

E ela só não morreu antes porque tinha três filhos para criar e ver crescer, senão certamente teria morrido antes e teria sido vencida pelo câncer quando o médico falou: em apenas 6 meses após o diagnóstico que foi feito menos de um ano após a morte do meu pai.

Há os que morrem de desespero como os que tiram a própria vida pois não suportam o vazio e a falta que os que se foram fazem. De todas as mortes por tristeza essa deve ser a mais triste pois necessita uma quantidade de tristeza insuportável, e tudo que é insuportável não é desse mundo.

E requer muita coragem embora digam que é um ato egoísta. E requer muito desprendimento pois quem tira a sua própria vida sabe o que está deixando para trás, embora acreditem e divulguem que não.

Dizem que é impossível morrer de tristeza. Também dizem que não cai uma folha no chão sem que Deus saiba e consinta. Sendo assim, penso que Deus não está alheio à tristeza que os outros sentem. E nem às suas mortes lentas e silenciosas, ou escolhidas e abruptas.

Porque dizem que nada é impossível no Reino de Deus, né? E além disso, teoricamente, Ele é o único que pode permitir, impedir, julgar, ajudar ou interferir de qualquer maneira. Então é perfeitamente possível morrer de tristeza não importa como e nem quando.

Porque tudo está SEMPRE certo no Reino de Deus, assim dizem.