Minhas companheiras que me desculpem, mas não vamos falar de assédio, nem dessas coisas que viraram notícia e fofoca em todas as mídias e redes sociais. Simplesmente porque eu não concordo e porque tenho outra visão sobre tudo o que está acontecendo.

Estou morrendo de pena do José Mayer. Claro que a menina foi incomodada por ele e coisa e tal, e parece que ele foi um babaca, mas pensem bem, se ele ficou paquerando ela, enchendo o saco por tanto tempo, porque ela foi deixando isso rolar? Eu não entendo o fato disso ter virado esse “espetáculo” todo.

Porra, é a Globo caralho! É a emissora conhecida pelos testes do sofá, pelos papéis ganhos na base da troca do sexo, pela putaria, pelo sexo, drogas e rock n roll. Vai tomar no cu, né? O José Mayer ficou enchendo o saco de uma figurinista, mas quanta podridão não tem escondida debaixo dos tapetes por ali?

Jogaram o cara aos leões e isso foi uma sacanagem. Não estou desmerecendo o “sofrimento” da menina e como ela se sentiu. Não me entendam mal. Não estou minimizando o lado dela. Estou apenas questionando o escândalo que fizeram usando o ator, quando coisas muito maiores já aconteceram ali e não fizeram nada.

E na hora de depôr a menina não quis. A merda toda já estava feita e a menina não quis dar continuidade e fazer o que era mais importante no processo que era dar voz ao que tinha acontecido e tirar do âmbito da fofoca e do tititi e passar para o âmbito da justiça.

E aquele bando de atriz criando campanha com camiseta e o cacete? Sei não…

As novas eu até entendo, mas as mais velhas…

Eu tive contato com muita gente do meio por causa do teatro, por causa da PUC, por causa de amizades da minha família, enfim, eu tive muito contato com gente da tv, do teatro, da música, da arte…

Já ouvi cada coisa, cada história, cada lembrança da época da pornochanchada, das festas, dos encontros, de que coisas que as pessoas eram obrigadas a fazer para conseguirem papéis em novelas, em programas.

Não vamos falar de assédio, vamos falar de educação e respeito. Vamos falar de desejo e vontade. Vamos falar de limites.

Eu sempre fui uma mulher provocante, que me arrumava com a intenção de ter todos os olhares para mim, pois minha autoestima era baixíssima e eu confundia as coisas. Eu achava que quanto mais homens me desejassem e ficassem comigo, significava que eu era mais bonita e gostosa. Coitada de mim, que erro idiota.

Nunca considerei assédio quando eles falavam gracinhas para mim, ou tocavam em mim de uma maneira sexy ou provocativa. Se tocassem mais intimamente, eu dava um risinho e interrompia o toque de uma maneira que ficasse claro que eu não queria.

É claro que passei por situações ruins. Situações de violência, que é o que eu realmente considerava assédio. Situações em que eu era imobilizada de tal maneira que a minha única alternativa era gritar, ou lutar, ou me debater. Sinceramente, nunca senti medo, eu sentia um certo instinto selvagem que fazia eu me sentir tão forte que me dava forças para lutar no mesmo nível.

Eu acho que todas as mulheres tem que ter liberdade. Para usar a roupa, a maquiagem e o cabelo que quiserem, essas coisas. Mas, acho que elas tem que lidar com as consequências do desejo que despertam, principalmente, dependendo do local, ou de com quem estiverem. Sei que vão me linchar por isso, mas é minha opinião.

Certas mulheres nascem com um espírito de atração e desejo maiores do que elas. Nascem com uma “pomba gira” encostada que dão um tesão nos homens, que não importa o que elas façam, ou como estejam vestidas, segue elas aonde quer que elas estejam, e atrai os “machos”. Eles ficam doidos. Não é culpa delas.

E as mulheres tem que saber se proteger e vigiar. Tem que ficar de olho. Se perceberem que tem algum cara muito exaltado por perto, porra, troca de lugar, procura alguém pra dar uma força, uma proteção. Pode ficar puta comigo, não ligo, a verdade é essa. Nossa liberdade tem regras, limites, se quisermos estar seguras.

Uma psicóloga me explicou uma vez que isso é instintivo nos homens. Eles olham e se excitam. E alguns “atacam” por falta de caráter, desvios mentais, excesso de drogas ou álcool, sei lá. Então, veem uma mulher com os peitos expostos, a bunda chamativa, qualquer coisa que exalte a “puta” que eles imaginam no inconsciente deles e pronto, a merda está feita.

E tem aqueles homens babacas que tem que provar alguma coisa pra eles ou pra alguém. Veem aquela mulher, é a lindona do local, a gostosa do local, está chamando a a atenção, e pronto, tem que ser deles, de qualquer jeito, a qualquer preço. Na base da força, da porrada.

Eu poderia falar milhares de casos e nós não vamos falar de assédio, vamos falar de violência, agressão gratuita, falta de caráter, psicopatia, sociopatia, babacas metidos com lutas, essas coisas. Outras questões muito maiores do que o assédio.

O mundo está cheio disso. Eu exijo a minha liberdade, luto e vivo por ela. Mas a questão é se eu estou disposta a morrer ou deixar outros morrerem por mim e pela minha liberdade. Quando eu saio linda e gostosa, de decote, batom vermelho, salto 15, cabelo solto e danço, eu tenho que ter muita segurança por mim, e por eles.

Não vamos falar de assédio. Assédio pra mim é mimimi. O mundo tá muito cheio de mimimi. Eu assedio muito mais do que sou assediada. Falo altas sacanagens e elogios cheios de subjetividade pra um monte pessoas. Vão me prender por isso? Porra, eu sou bipolar. Sacanagem, putaria, falta de limites, são meu sobrenome.

Já tomei muito fora por causa disso e já assustei muita gente que não soube lidar com as minhas “diretas”. Estou tentando respeitar mais o limite do outro, tocar menos, ser mais educada.

Quando ouço um “gostosa”, “delícia”, na rua, na maioria das vezes fico puta, mas não chamo de assédio, chamo de desejo, falta de educação. E não fico puta por eles falarem, mas pela maneira como falam, e pelos outros ouvirem. Se fosse numa boate, talvez eu parasse e falasse alguma coisa do tipo: você também é, ou obrigada.

Então, não vamos falar de assédio, pois pra mim é algo muito sério, que beira o estupro, ou o moral e mental, que beira a loucura e o desequilíbrio na vítima. Vamos falar de falta de limite, educação e respeito. E como podemos lidar com isso. E pensar que até algum tempo atrás ninguém achava isso esse elefante branco.

E, repito, não estou minimizando o trauma e o problema das mulheres que estão passando por algum assédio. Cada um lida com isso de uma maneira. Pode ser traumatizante, terrível, mas acredito que precisamos analisar com muita calma, e antes de jogar supostos assediadores na arena dos leões, precisamos pensar muito.

Estão julgando bastante a Maitê Proença, mas eu penso na quantidade de coisas que ela sabe sobre “assédios” e mulheres que se venderam e participaram de testes do sofá, e estão vestindo a camisa da campanha contra o assédio. Ela não quer ser hipócrita, assim como várias mulheres e homens que preferiram ficar calados.

Eu estou dando essa opinião por isso. Já sofri esse “assédio” que todos falam, já assediei e muito, aliás tenho o péssimo hábito de fazer isso. Já sofri violência sexual de verdade, não esse mimimi de assédio, violência sexual. Já fui obrigada a ter relações contra a minha vontade. Então, me desculpem, mas sobre isso eu realmente posso falar.