Ela estica os braços e olha para o lado.
Participa de um jogo perigoso. A roda da fortuna, a roda da vida.
Só existem quatro caídas na roleta: lâmina, fita, balas, pena.
A roleta gira e ela olha indiferente. Seu desejo não conta, pois entrou no jogo sabendo o que poderia acontecer. A roleta gira e ela divaga.
Observa seus próprios pulsos atentamente, observa as veias, observa a pele, observa as mãos.
A roleta diminui sua velocidade e ela olha novamente para os pulsos.
Pensa no banco e nas suas dívidas, pensa nos irmãos e no que pensa deles, pensa em tudo o que conquistou e que não conquistou.
A roleta pára de girar.
Seus braços estão estendidos para lâminas, fitas de cetim, balas de revólver ou penas de pássaros.
A roleta pára de girar.